22/02/2018

3.250.(22feVER2018.8.8') Andreia Barata

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22feVER2018
Andreia Barata, treinadora natural de Alcobaça comandou a equipa de hóquei feminino do Stuart Massamá a uma histórica final-four da Euroliga Feminina. A ex-hoquista da Alcobacense e do GDR “Os Lobinhos” guiou a formação lisboeta à final a quatro decisiva ao empatar a três bolas, este sábado, 17 de fevereiro, em casa diante do Noisy Le Grand, sendo suficiente para vencer a eliminatória após a vitória de 7-2 obtida na 1.ª mão em França.
Notícia 1 - Andreia Barata Entrevista
http://www.oalcoa.com/hoquei-alcobacense-comandou-stuart-massama-a-final-four-europeia/
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https://www.facebook.com/andreia.barata.12
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22feVER2018

A alcobacense Andreia Barata conduziu o Stuart Massamá à final four da Liga Europeia de hóquei em patins.
Ao empatar a três bolas, este sábado, em casa diante do Noisy Le Grand, a equipa da linha de Sintra conservou a vantagem de 7-2 obtida na 1.ª mão em França, assegurando o apuramento.
O Stuart Massamá vai enfrentar o crónico campeão nacional Benfica, das turquelenses Rute e Rita Lopes, na final four, além das espanholas do Voltregá e CP Gijon.
Andreia Barata foi hoquista da Alcobacense durante mais de uma década, até se mudar para Sintra, tendo terminado a carreira ao serviço do Lobinhos em 2010/11, época em que conquistou o título nacional. Em 2006/07, fez parte da equipa da Alcobacense que se sagrou vice-campeã nacional.
http://www.regiaodecister.pt/noticias/hoquei-andreia-barata-guia-stuart-final-four-da-liga-europeia
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11noVEM2017
Foto de Andreia Barata.
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10210222770587903&set=pb.1299030197.-2207520000.1519313310.&type=3&theater
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15noVEM2016
Foto de Andreia Barata.
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10207501393315172&set=pb.1299030197.-2207520000.1519313310.&type=3&theater
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28jun2012
A equipa de hóquei em patins da Associação Alcobacense da Cultura e Desporto sagrou-se campeã da 3ª divisão. O jogo disputou-se no passado sábado, dia 16 e a equipa alcobacense derrotou a equipa da Casa do Povo da Sobreira por 11-4. (Saiba mais na edição em papel de 28 de junho de 2012).
http://www.oalcoa.com/equipa-alcobacense-e-campea-da-3a-divisao-de-hoquei-em-patins/

6.795.(22feVER2018.7.7') Ruy Cinatti

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nasceu 8mar1915.Londres
e morreu a 12ouTU1986
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Foto

Dois poemas inéditos de Ruy Cinatti
Navios de vento
Fechei a minha janela
ao vento que vem do largo
que entra pela foz do rio
e declina pela cidade
silvando pelos telhados
que lhe servem de desvio.
No rio sobem navios
que apitam de quando em quando.
Oh mudo pranto fechado,
que se ouve no meu quarto!
Mas o vento força a porta
sublinha-se pelas frinchas
com denodado desígnio
que me fere de malícia.
Abro a janela fecho-a
e recebo-o em minha casa
com honras de visitante,
pé atrás, outro adiante,
como se fosse esperado.
Oh pranto desenganado!
Não converso, não me espanto
com o que o vento sussurra
quando entra de improviso.
O que se ouve no meu quarto
é um anjo apavorado
que me pretende assustar
com uma voz de além-túmulo
ouvida algures, além mar.
Oh lamento recordado
de uma criança a chorar!
Eu vejo cavalos brancos
galopando sobre as nuvens,
as crinas ao ar soltando
como um cardume assustado.
O vento que me percorre
rodopia sem cessar
enche-me o quarto todo
de furtivos sentimentos
difíceis de controlar.
Oh mudo pranto fechado
a sete chaves pelo vento!
26/2/75
Foto
[Meu o testamento]
Meu o testamento
o que possuo na memória de outros
que me transcenderam
e o que me custou a declarar
a quem – cerrados dentes –
tinha horizontes,
ilhas por cartografar
e sendo um dos poucos neste mundo
digno do seu nome,
não lamentarei,
antes lhe calçarei sandálias de ouro,
minhas calças por provar ainda.
Um destino de nunca acabar
dou-lhe por aumento
de uma força que nos una a todos.
Sim – não desistamos!
Sim – não nos magoemos!
Antes lembremos o pronunciamento
com Che Guevara e com mestre Heráclito!
Tudo flui
como num rio outro
e todos os rios cessam no mar.
Os inimigos poderão ser muitos.
Com todos eles estaremos a par.
É no mar de móveis horizontes
que nos juntaremos
a sós com os elementos
água, céu e fogo.
Meu o testamento
a quem o dito, a quem o testemunho,
a quem o transmito,
antes mesmo de iludir a forma
de que me revisto.
O estilo será outro, mas a forma
é imortal
e chama-se alma.
Que ma tomem os que ainda pressinto
terem o íntegro
poder de audácia
revolucionária
por nunca se satisfazerem com o mínimo
neles apenas surto
de começos sempre no plural.
A quem transmito o meu testamento,
cabe, piedoso,
distribuí-lo entre os mais escolhidos,
os que sonharam não serem vencidos,
os que sonharam
voltar um dia ao país natal,
bemaventurados
de nobre escolha e firme propósito:
Um dia livre
de miseráveis concessões políticas;
um dia ímpar
que nos redima para toda a vida;
um dia igual
ao das minhas-nossas gerações futuras.
O meu desejo:
Que o meu país se encontre de novo.
Que se anuncie Portugal!
26/2/75
Foto
http://www.snpcultura.org/dois_poemas_ineditos_de_ruy_cinatti.html
***
POEMA DE AMOR 

Os segredos de amor têm profundezas difíceis de alcançar, 
tal como a chuva que hoje cai e nos molha na calçada a face,
nós olhando triste uma saudade imensa
num corpo de mulher metamorfoseada. 

Sou demasiado são para me esquecer
do tempo apaixonado que vivi nos teus braços
e bebo no teu um coração meu
adormecido no mar do meu cansaço
ou no rio das minhas secas lágrimas. 

Tardará muito, se é que as horas contam, 
ver-te, de novo, perto de mim, longe, 
mas eu espero, sou paciente e, no meu canhenho, aponto, 
um dia a menos, o da tua chegada. 
E assim me fico, rente ao horizonte,
abrigado da chuva numa cabine telefónica,
e ligo para ti - que número? - ninguém responde
do oceano que avança e retrai colinas,
o vulto de um navio, tu na amurada
acenando um lenço, ó minha pomba branca!...

Como se tempestade houvesse e um naufrágio de chuva
- as vidraças escorrem, as árvores liquefazem-se... - 
escurecendo os teus cabelos,
ou, se preferes, a minha boca neles 
carregada de ilhas, de nocturnos perfumes
que ateiam lumes, ó minha idolatrada, 
na minh' alma inquieta um outro bater d' asas
ou num jardim um leito de flores!...
  in Obra Poética, ed. Assírio & Alvim 
http://ler.blogs.sapo.pt/um-poema-de-ruy-cinatti-1061989
***
Praia presa...

Praia presa, adiantada
no mar, no longe, no círculo
de coral que o mar represa.
Praia futura invocada.
Timor ressurge das águas,
praia futura invocada.
*
De monte a monta...

De monte a monta, o meu grito
soa, soa, como voz
de um eco do infinito
ecoando em todos nós.

Timor cresce como um grito
ecoando em todos nós.
*
Perdi meu pai...

Perdi meu pai, minha mãe. Estou só,
ninguém me escuta,
senão quando querem dar
os restos que ninguém quer.

Pobre de pobre, só tenho
os restos que ninguém quer.
*
Entrei pelo mar...

Entrei pelo mar mulher
açodado, a colher algas
Esqueci-me do meu mister
embalado pelas ondas.

O mar homem não se esquece
embalado pelas ondas.
*
Agarrei no ar...

Agarrei no ar um véu
esmaecido de azul,
igual ao azul do céu
iluminado pela lua.

Eu passo a vida a sonhar
iluminado pela lua.
http://users.isr.ist.utl.pt/~cfb/VdS/ruy.cinatti.html
***
Ruy Cinatti Vaz Monteiro Gomes foi um poeta, antropólogo e agrónomo português.
*

REGRESSO ETERNO


Altos silêncios da noite e os olhos perdidos,
Submersos na escuridão das árvores
Como na alma o rumor de um regato,
Insistente e melódico,
Serpeando entre pedras o fulgor de uma idéia,
Quase emoção;
E folhas que caem e distraem
O sentido interior
Na natureza calma e definida
Pela vivência dum corpo em cuja essência
A terra inteira vibra
E a noite de estrelas premedita.

A noite! Se fosse noite. . .
Mas os meus passos soam e não param,
Mesmo parados pelo pensamento,
Pelo terror que não acaba e perverte os sentido
A esquina do acaso;
Outros mundos se somem,
Outros no ar luzes refletem sem origem.
É por eles que os meus passos não param.
E é por eles que o mistério se incendeia.

Tudo é tangível, luminoso e vago
Na orla que se afasta e a ilha dobra
Em balas de precário sonho...
Tudo é possível porque à vida dura
E a noite se desfaz
Em altos silêncios puros.
Mas nada impede o renascer da imagem,
A infância perdida, reavida,
Nuns olhos vagabundos debruçados,
Junto a um regato que sem cessar murmura.
*

VIGÍLIA


Paralelamente sigo dois caminhos
Abstrato na visão de um céu profundo.
Nem um nem outro me serve, nem aquele
Destino que se insinua
Com voz semelhante à minha. O melhor mundo
Está por descobrir. Não seque a lua
Nem o perfil da proa. Vai direito
Ao vago, incerto, misterioso
Bater das velas sinalado de oculto.

Quero-me mais dentro de mim, mais desumano
Em comunhão suprema, surto e alado
Nas aragens noturnas que desdobram as vagas,
Chamam dorsos de peixe à tona de água
E precipitam asas na esteira de luz.
Da vida nada senão a melhoria
De um paraíso sonhado e procurado
Com ternura, coragem e espírito sereno.

Doçura luminosa de um olhar. Ameno
Brincar de almas verticais em pleno
Sol de alvorada que descerra as pálpebras.
*

QUEM NÃO ME DEU AMOR NÃO ME DEU NADA


Quem não me deu Amor não me deu nada.

Quem não me deu Amor não me deu nada.

Encontro-me parado...

Olho em meu redor e vejo inacabado

O meu mundo melhor.

Tanto tempo perdido...

Com que saudade o lembro e o bendigo:

Campo de flores

E silvas...

Fonte da vida fui. Medito. Ordeno.

Penso o futuro a haver.

E sigo deslumbrado o pensamento

Que se descobre.

Quem não me deu Amor não me deu nada.

Desterrado,

Desterrado prossigo.


E sonho-me sem Pátria e sem Amigos,

Adrede.
*

QUANDO EU PARTIR


Quando eu partir, quando eu partir de novo
A alma e o corpo unidos,
Num último e derradeiro esforço de criação;
Quando eu partir...
Como se um outro ser nascesse
De uma crisália prestes a morrer sobre um muro estéril,
E sem que o milagre se abrisse
As janelas da vida. . .
Então pertencer-me-ei.
Na minha solidão, as minhas lágrimas
Hão de ter o gosto dos horizontes sonhados na adolescência,
E eu serei o senhor da minha própria liberdade.
Nada ficará no lugar que eu ocupei.
O último adeus virá daquelas mãos abertas
Que hão de abençoar um mundo renegado
No silêncio de uma noite em que um navio
Me levará para sempre.
Mas ali
Hei de habitar no coração de certos que me amaram;
Ali hei de ser eu como eles próprios me sonharam;
Irremediavelmente...
Para sempre.
*

POEMA DO PACTO DE SANGUE


Nobres há muitos. É verdade.
Verdade. Homens muitos. É muito verdade.
Verdade que com um lenço velho
As nossas mãos foram enlaçadas.

Nós, como aliados, eu digo.
Panos, só um, tal qual afirmo.
A lua ilumina o meu feitio.
O sol ilumina o aliado.

Agua de Héler! Pelo vaso sagrado!
Nunca esqueça isto o aliado.
Juntos, combater, eu quero!
Com o aliado, derrotar, eu quero!

A lua ilumina o meu feitio.
O sol ilumina o aliado.
Poderemos, talvez, ser derrotados
Ou combatidos, mas somente unidos.
https://www.escritas.org/pt/l/ruy-cinatti
***
in Obra poética

Quando o Amor Morrer Dentro de Ti

Quando o amor morrer dentro de ti,
Caminha para o alto onde haja espaço,
E com o silêncio outrora pressentido
Molda em duas colunas os teus braços.
Relembra a confusão dos pensamentos,
E neles ateia o fogo adormecido
Que uma vez, sonho de amor, teu peito ferido
Espalhou generoso aos quatro ventos.
Aos que passarem dá-lhes o abrigo
E o nocturno calor que se debruça
Sobre as faces brilhantes de soluços.
E se ninguém vier, ergue o sudário
Que mil saudosas lágrimas velaram;
Desfralda na tua alma o inventário
Do templo onde a vida ora de bruços
A Deus e aos sonhos que gelaram. 
*

Teus Olhos

Teus olhos, Honorine, cruzaram oceanos,
longamente tristes, sequiosos,
como flor aberta nas sombras em busca do Sol.
Vieram com o vento e com as ondas,
através dos campos e bosques da beira-mar.
Vieram até mim, estudante triste,
dum país do Sul. 
**
in 'O Livro do Nómada Meu Amigo' 

Memória Amada

    Para Alain Fournier

Vinham de longe em bandos. Acorriam
Jubilosos. Fantasias
De parques pluviosos
E, descendo,
Os patos bravos lançados
Entre juncos, salgueiros e veados.
Tarde,
Muito tarde, uns olhos tais
Haviam de aparecer, sobressaltados
Entre enigmas e um floco de cabelos
Osculado pelo vento. Alegorias...
Do agora ou nunca e do momento
Definido. Trégua impensada,
Insuspeita, no perfume alado
Da página dobrada e abandonada
Dum livro interrompido. Sinto a dor fina,
Finamente atravessada e suave,
- Quase saudade. 
http://www.citador.pt/poemas/a/ruy-cinatti
***
Via Maria Elisa Ribeiro
Memória Amada
Para Alain Fournier
Vinham de longe em bandos. Acorriam
Jubilosos. Fantasias
De parques pluviosos
E, descendo,
Os patos bravos lançados
Entre juncos, salgueiros e veados.
Tarde,
Muito tarde, uns olhos tais
Haviam de aparecer, sobressaltados
Entre enigmas e um floco de cabelos
Osculado pelo vento. Alegorias...
Do agora ou nunca e do momento
Definido. Trégua impensada,
Insuspeita, no perfume alado
Da página dobrada e abandonada
Dum livro interrompido. Sinto a dor fina,
Finamente atravessada e suave,
- Quase saudade.
in 'O Livro do Nómada Meu Amigo'
Foto de Maria Elisa Ribeiro.
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2070595856290306&set=a.104671869549391.10003.100000197344912&type=3&theater

20/02/2018

6.741.(20feVEr2018.7.7') Kurt Cobain

Nasceu a 20feVER1967.Aberdeen
e morreu a 5abri1994.Seattle
***
20feVER2018
Caso fosse vivo, Kurt Cobain faria hoje 51 anos, facto assinalado por Courtney Love, viúva do músico.
A líder das Hole deixou, no Instagram, uma foto em que aparece abraçada a Cobain, antes da morte do músico, em 1994. "Feliz aniversário, querido. Sinto tanto a tua falta", escreveu.
Love e Cobain ter-se-ão conhecido, segundo o biógrafo dos Nirvana Charles R. Cross, a 19 de fevereiro de 1990 num clube noturno de Portland - Love terá dito a Cobain que este lhe lembrava Dave Pirner, o vocalista dos Soul Asylum. Os dois terão começado a namorar em 1991 e casaram-se no Havai em fevereiro de 1992. Seis meses depois nascia a filha de ambos, Frances Bean. A relação entre Love e Cobain foi tumultuosa mas durou até à morte do segundo, em abril de 1994.

http://blitz.sapo.pt/principal/update/2018-02-20-Courtney-Love-presta-homenagem-a-Kurt-Cobain-no-dia-em-que-este-faria-51-anos
***
"As coisas têm um brilho que com o tempo se vai."
"Melhor queimar do que apagar aos poucos."
"Se meus olhos mostrassem a minha alma, todos, ao me verem sorrir, chorariam comigo."
"Querer ser outra pessoa é uma completa perda de tempo da pessoa que você é."
"Até que o sol se vá, eu ainda tenho uma luz."
"Morra jovem e permaneça belo."
"Odeio mãe, odeio pai. Pai odeia mãe e mãe odeia pai."
"Se o rock é ilegal, me enfiem na prisão!"
"Punk é liberdade musical. É dizer, fazer e tocar o que você quer. Em termos de Webster, 'nirvana' significa liberdade da dor, sofrimento e do mundo externo, e isso está muito perto de minha definição de Punk Rock."
"Vandalismo: tão bonito quanto pedra na cara de um guarda."
"Acordar cedo e planejar metas para cada dia vivenciado é desafiar e ter auto-confiança."
"Um amigo é nada mais que um inimigo conhecido."
"E acho que eu simplesmente amo as pessoas demais, tanto que chego a me sentir mal."
"Sou o pior no que faço de melhor. E por este presente eu me sinto abençoado."
"Bem, eu realmente aprendi algumas coisas e uma delas é que a felicidade não tem nada a ver com a aprovação das outras pessoas. O que é realmente importante é estar feliz com você mesmo, encontrar alguém que é importante para você e seguir adiante sem ligar para que os outros falam."
"Cresci de um modo muito isolado. Tornei-me anti-social. Comecei a compreender a realidade do universo em que vivia, que tinha muito pouco para me oferecer. Não encontrava amigos de quem gostasse, que fossem compatíveis comigo, ou que gostassem do que eu gostava."
"Não temos o direito de expressar uma opinião até que saibamos todas as respostas."
"Se você morrer, você estará completamente feliz e a sua alma viverá algures. Eu não tenho medo de morrer. Paz total após a morte, tornar-me outra pessoa é a melhor esperança que eu tenho."
"Todas as drogas são uma perda de tempo. Elas destroem sua memória, seu respeito e tudo que tem a ver com a sua auto-estima. Elas não são boas de forma nenhuma."
"Eu nunca quis cantar. Eu só queria ficar tocando guitarra no fundo do palco."
"Devo ser um daqueles narcisistas que só dão valor às coisas depois que elas se vão. Eu sou sensível demais."
"Prefiro morrer a ser bonzinho."
"Nos últimos cinco anos eu desejei a morte todos os dias. Às vezes cheguei bem perto."
"Amigo autêntico é aquele que mesmo sabendo tudo sobre você ainda continua sendo seu amigo."
"A cada dia todos nós passamos pelo céu e pelo inferno!"
"Sabe viver quem dedica um dia ao sonho e outro à realidade."
"Se você me odeia, entra na fila, ok?
Se você me ama, pensa bem. Talvez eu não mereça."
https://www.pensador.com/frases_de_kurt_cobain/
*
"É melhor queimar do que se apagar aos poucos! Paz, amor e empatia."
"Nada a incomoda realmente. Ela só quer amar a si mesma."
"Eu acho que o amor pode superar qualquer barreira, não interessa o quanto difícil seja de ultrapassá-la. Penso que faria qualquer coisa para ficar com a pessoa que amo, largaria tudo se pudesse, arriscaria qualquer coisa porque se eu amo realmente alguém eu não tenho que ficar com receio e sim fazer de tudo por um amor."
https://www.pensador.com/frases_amor_kurt_cobain/
***
Os Nirvana tiveram sempre uma relação amor-ódio com o seu grande êxito, "Smells Like Teen Spirit". Após o sucesso obtido em 1991, a banda foi progressivamente retirando a canção dos alinhamentos dos seus concertos, numa reação contra alguns fãs que iam aos espetáculos apenas para a escutar.
Durante a digressão em torno de In Utero, Kurt Cobain explicou à Rolling Stone que "não podia fingir que se divertia" ao tocá-la, razão pela qual "Smells Like Teen Spirit" foi fazendo parte dos alinhamentos apenas de forma esporádica.
A última apresentação ao vivo da canção deu-se em Milão, Itália, a 25 de fevereiro de 1994, durante a etapa europeia da digressão de In Utero, após uma passagem pela Eslovénia (onde "Smells Like Teen Spirit" não foi tocada).
Poucos dias depois, a 1 de março, os Nirvana dariam o seu último concerto de sempre, na Alemanha. 19 dias antes, atuaram no Dramático de Cascais - onde as duas primeiras canções do alinhamento foram "Smells Like Teen Spirit" e "Come As You Are", o outro grande êxito retirado de Nevermind, de 1991.
Veja aqui a última apresentação ao vivo de "Smells Like Teen Spirit", pelos Nirvana:
https://www.youtube.com/watch?v=LDKfwyLUm_o
http://blitz.sapo.pt/principal/update/2018-02-04-A-ultima-vez-que-os-Nirvana-tocaram-Smells-Like-Teen-Spirit-foi-assim
***
Resultado de imagem para frases de kurt cobain sobre amor
***

https://www.dn.pt/artes/interior/policia-divulga-fotos-da-arma-com-que-kurt-cobain-se-suicidou-5084008.html
*
https://www.dn.pt/tag/kurt-cobain.html
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Após a morte de KURT COBAIN, cujo suicídio literalmente chocou o mundo em 1994, houveram inúmeras tentativas de autores em escrever uma responsável biografia do artista. Em meio a debates sobre direitos de imagem e outras querelas burocráticas entabuladas com COURTNEY LOVE, as esperanças da publicação de um livro de qualidade que tratasse com honestidade a história de Cobain praticamente se esvairam. No entanto, o crítico musical americano Charles R. Cross surgiu para resgatar tais perspectivas.
"Mais Pesado Que o Céu", resultado de alguns anos de trabalho de Cross 
em entrevistas e audições do NIRVANA, é um livro denso. Quem já o leu, sabe que não há outro adjetivo que descreva a obra: ela é recheada de emoções pulsantes que envolvem o leitor a cada linha percorrida.
Charles R. Cross desempenhou um incrível mister ao captar a dramaticidade da história de Kurt e "desenhá-la" em palavras. Desde a turbulenta infância até os picos de criatividade da adolescência, que acabaram por desencadear a criação de uma das mais viscerais bandas de punk/grunge da história da música, o jornalista demonstra um Cobain que quase ninguém estava acostumado a vislumbrar: um ser excessivamente humano.
KURT COBAIN sempre deteve um gênio inquietante. Sua vocação para arte é evidenciada já no início de sua vida, confirmando-se em sua tenra infância. Kurt, como demonstra Cross, era uma criança surpreendentemente amável e intrinsecamente conectada aos pais. Quando a estrutura familiar dos Cobain começou a ruir, através das intensas discussões de seus pais, Kurt iniciou uma curva descendente e, seja por culpa do destino ou por sua própria culpa, não se preocupou em frear em nenhum momento.
Talvez, uma das causas que nos levam, ao ler o livro, a nos envolver tanto com a história seja sua dramaticidade, que em nenhum momento parece ser exagerada ou forçada. A trajetória do frontman de uma das maiores bandas da história além de rápida, é peremptoriamente triste e negativamente contagiante neste sentido.
Kurt deixou muito cedo o convívio do restante de sua família que, após a separação traumática dos pais, resumia-se à seus avós paternos e uma turbulenta relação com seu genitor. A partir dos 15 anos, Cobain saltou de casa em casa de amigos e parentes, até acabar na rua, dormindo em uma geladeira que havia sido descartada por seu dono. Com uma sacola de roupas e uma guitarra literalmente remendada, Kurt vagava pelas ruas de Abeerden, no Estado de Washington, compondo, envolvendo-se em confusões e, cada vez mais, brincando com as drogas.
Após a mudança para Seattle, Kurt deu início à criação da banda que, em pouco tempo, se tornaria o NIRVANA, ingressando de fato na cena underground da cidade e galgando contatos. Os primeiros shows do NIRVANA se resumiam em pequenas apresentações em lúgubres boates, para 5 ou 10 pessoas que, embriagadas, esperavam sua vez de serem expulsas do local.
Deste cenário dramático até o lançamento de "Bleach" e "Nevermind", a história se desenvolve em um rítmo lacinante e denso, que não cabem nestas singelas linhas. Fato é que, gradativamente, a cada show e a cada êxito alcançado, o desespero de Kurt aumentava, ao invés de atenuar-se. O mesmo acontecia com seu vício em heroína, decorrente das fortes crises estomacais que lhe acometiam desde pequeno. Mais do que um "modismo", a heroína sempre foi para Cobain o único modo de anestesiar suas dores, que jamais foram diagnosticadas pelos médicos que o receberam. Após conhecer Courtney, a trajetória de Kurt acelerou-se ainda mais, como bem demonstra o livro.
Kurt pôs sua vida a termo em 5 de abril de 1994, após ter atingindo o fundo do poço no que diz respeito ao vício e a degradação pessoal que um homem pode alcançar. Com o nascimento de sua filha, Kurt sofria por ter a consciência de que nunca seria um pai ideal, fracasso este cometido pelo seu genitor e que deixou indeléveis marcas em sua personalidade.
É inegável que KURT COBAIN deixou um forte patrimônio musical, representado por letras complexas e sinceras e construções harmônicas que canalizavam seus temores. Desde "Nevermind", que até hoje é considerado um dos maiores discos da história do rock, até "In Utero" (que na opinião humilde deste matuto redator é a masterpiece do NIRVANA) e "Unplugged In New York", o legado de Kurt pode ser sentido e ouvido. Talvez a maior contribuição de "Mais Pesado Que o Céu" resida no fato de que, após seu advento, nós também possamos "ler" tal legado e perceber a falta que este ícone genuinamente humano nos faz.
https://whiplash.net/materias/livros/104606-nirvana.html
***
5 frases
https://www.youtube.com/watch?v=pZOsbdhqnK8
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biografia
https://www.youtube.com/watch?v=xCZvpiipfhQ
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últimos dias de vida
https://www.youtube.com/watch?v=pBItjBkBqcM
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Nirvana - (Legendado-tradução em português)

The Man Who Sold The World

https://www.youtube.com/watch?v=HcDSfL3mhFI&index=2&list=RDqU5TGFn0Y7I

Come As You Are 

https://www.youtube.com/watch?v=qU5TGFn0Y7I&list=RDqU5TGFn0Y7I&t=3
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Nirvana - Where did you sleep last night
(legendado)
https://www.youtube.com/watch?v=4n43kwkl434
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19/02/2018

6.430.(19feVER2018.8.8') Heinrich Heine

Nasceu a 1797.em Harry
e morreu a
***
Esteve exilado em Paris, onde travou conhecimento com Karl Marx. Foi colaborador de vários jornais e revistas ligados ao movimento do Junges Deutschland. A sua poesia e prosa têm um forte cunho político e social. O poema Die Schlesischen Weber foi publicado no jornal Vorwärts e circulou também como panfleto na Alemanha.

*Tradução de Paulo Quintela [In Scheidl et al. (1996), Dois Séculos de História Alemã (Sociedade, Política e Cultura), Coimbra, Ed. Minerva, pp. 123.]
Os tecelões da Silésia**

Sem uma lágrima no sombrio olhar,
Ei-los sentados, de dentes cerrados, junto ao tear:
Alemanha, a tua mortalha tecemos à mão,
E nela tecemos três vezes maldição –
Ao tear, ao tear!

Maldição ao ídolo a quem de Inverno
Rezámos com frio e fomes de inferno;
Em vão estivemos à espera e com ‘sp’rança,
E ele troçou de nós, riu-se da matança –
Ao tear, ao tear!

Maldição ao rei, rei dos ricaços,
Que não abrandaram os nosso cansaços,
Que nos arrancou os últimos vinténs
E nos faz metralhar como a cães –
Ao tear, ao tear!

Maldição à pátria falsa e medonha,
Onde apenas medram o roubo, a vergonha,
Onde cada flor logo em botão se corta,
Onde os vermes se cevam de carne morta!
Ao tear, ao tear!

Voa a lançadeira, estala o tear,
E nós noite e dia a tecer, a suar,
Velha Al’manha, tecemos tua mortalha à mão,
E nela tecemos três vezes maldição.
Ao tear, ao tear!
http://www3.ilch.uminho.pt/kultur/Heinrich%20Heine%20Schlesische%20Weber.htm
***
"Onde livros são queimados, seres humanos estão destinados a serem queimados também."
"Quando os heróis saem do palco, os palhaços sobem"


poeta, escritor, jornalista e pensador ( batizado Heinrich, em 1825; falecido Henri, em 1856) – foi uma das personalidades mais fascinantes e contraditórias do século XIX. Aluno do crítico, tradutor e teórico da literatura August von Schlegel, do linguista e sanscritólogo Franz Bopp e do filósofo Georg Hegel, ascendeu dos salões literários de Berlim à efervescente metrópole parisiense – onde conviveu com Balzac, Alexandre Dumas, Chopin, George Sand, Berlioz, barão de Rothschild, Théophile Gautier, Franz Liszt, Gérard de Nerval, entre outros – para se tornar o primeiro artista e intelectual judeu-alemão de ampla repercussão internacional. Influenciou tanto Karl Marx, de quem foi grande amigo, quanto Friedrich Nietzsche e Sigmund Freud, para ficarmos apenas entre os baluartes da Modernidade, palavra que, por sinal, ele próprio introduziu no vocabulário, num de seus caleidoscópicos Quadros de viagem que lhe catapultaram para a fama em meados da década de 1820. Em 1827, publicou uma das mais bem-sucedidas coletâneas de poesia do Ocidente, o Livro das canções, fonte inesgotável para os compositores – Schubert, Schumann, Brahms, Hugo Wolf, Grieg, entre tantos outros – que o fizeram um dos poetas mais musicados da história: somente o poema “Tu és como uma flor” recebeu 451 melodias diferentes! Radicando-se em Paris, em 1831, assumiu o papel de mediador entre as culturas alemã e a francesa. Em artigos de jornal – onde narrava os acontecimentos da política, arte e vida social parisiense para o público alemão – fez observações pioneiras sobre religião e dança, entre outros assuntos. Aos franceses dirigiu instigantes e divertidíssimos ensaios sobre as correntes religiosas, filosóficas e literárias da Alemanha Foi um defensor apaixonado dos ideais da Revolução Francesa, crítico implacável da hipocrisia moral e inimigo feroz do nacionalismo germânico, cujos frutos mais terríveis ele profetizou com um século de antecedência: “um drama há de ser encenado na Alemanha que fará a Revolução Francesa parecer um idílio inofensivo”. Em 1848, a doença – que julgava ser a sífilis – o fez passar os oito anos seguintes entrevado numa “cripta de colchões”, trabalhando incansavelmente, sob doses cada vez mais altas de morfina. Ainda arranjou forças, nos últimos meses de vida, para um affaire platônico com uma jovem e misteriosa visitante que ele apelidou de Mouche (Mosca), e a quem endereçou seus últimos poemas. Faleceu em 1856, sendo sepultado no cemitério de Montmartre. 
:: Fonte: VALLIAS, André. Nota Biográfica sobre Heinrich Heine. in:  Heine, hein? – Poeta dos contrários, [introdução e tradução André Vallias]. São Paulo: Editora Perspectiva, 2011.



OBRAS DE HEINRICH HEINE PUBLICADAS NO BRASIL
:: Livro das canções. Heinrich Heine. [vários tradutores*; seleção e notas de Jamil Almansur Haddad; prefácio Max Aub]. São Paulo: Livraria Exposição do Livro, (década 1940?). reedição. São Paulo: Editora Hemus, 2008, 160p. 
:: Prosa política e filosófica de Heinrich Heine. [seleção e introdução Otto Maria Carpeaux; tradução de Eurico Remer e Maura R. Sardinha]. São Paulo: Civilização Brasileira, 1967.
:: Memórias e Confissões de Heinrich Heine. [tradução, prefácio e notas críticas Marcelo Backes]. no Prelo. Porto Alegre, L&PM, s/d. 
:: Contribuição a história da religião e filosofia na Alemanha. (Zur Geschichte der Religion und Philosophie in Deutschland) Heinrich Heine.. [estudo Wolfgang Wieland; tradução e notas Márcio Susuki]. São Paulo: Iluminuras, 1991, 150p. 
:: Noites florentinasHeinrich Heine[tradução, organização, prefácio e notas Marcelo Backes]. Porto Alegre: Editora Mercado Aberto, 1999.
:: Das memórias do senhor de SchnabelewopskiHeinrich Heine.[tradução Marcelo Backes]. São Paulo: Boitempo Editorial, 2001. 
:: Os deuses no exílio (Les Dieux en Exil). Heinrich Heine. [tradução Marcio Suzuki e Marta Kawano]. Coleção Biblioteca Polen. São Paulo: Iluminuras, 2009, 168p.  
:: Heine, hein? – Poeta dos contrários. Heinrich Heine[introdução e tradução André Vallias]. Edição bilíngue. São Paulo: Perspectiva, 2011.
:: Viagem ao Harz. Heinrich Heine. [tradutor Mauricio Mendonça Cardozo]. São Paulo: Editora 34, 2014, 144p. 
(*) Traduções esparsas Heinrich Heine - por Gonçalves Dias, Machado de Assis, Álvares de Azevedo, Lúcio de Mendonça, Geir Campos, Fontoura Xavier, Alphonsus de Guimaraens, Manuel Bandeira, Nelson Ascher, Marco Lucchesi e outros. 

Antologia

:: Antologia humanística alemã: o engajamento social na literatura alemã a partir da idade média até a atualidade. (Ein Deutsches Lesebuch).. [seleção e organização Wolfgang R. Langenbucher; comentários Harro Hilzinger; traduções Ari Lazzari, Walter Koch e outros]. Porto Alegre: Globo Editora; Tübingen/Basel, Horst Erdmann Verlag, 1972, 392p. 
:: 31 poetas, 214 poemas: do Rigveda e Safo a Apollinaire[tradução, notas e comentários Décio Pignatari]. 2ª ed., Campinas: Editora da Unicamp, 2007.
# Contribuições: Denise Bottmann 



Heinrich Heine, 1829






















POEMAS DE HEINRICH HEINE - BILÍNGUE 

Sonhei de novo o sonho antigo:
Maio, juras de amor eterno,
Ambos sentados sob a tília
E tendo a noite como abrigo.
E juras a cada momento,
Risinhos, carícias, beijos:
Sem mais, porém, mordeu-me a mão,
Pra me lembrar do juramento.
Ó namorada de olhos claros,
Com seus caninos entre os ais:
Estou de acordo quanto às juras,
Mas a mordida foi demais.
*
Mir träumte wieder der alte Traum:
Es war eine Nacht im Maie,
Wir saßen unter dem Lindenbaum,
Und schwuren uns ewige Treue.
Das war ein Schwören und Schwören aufs neu,
Ein Kichern, ein Kosen, ein Küssen;
Daß ich gedenk des Schwures sei,
Hast du in die Hand mich gebissen.
O Liebchen mit den Äuglein klar!
O Liebchen schön und bissig!
Das Schwören in der Ordnung war,
Das Beißen war überflüssig.
Heinrich Heine "Buch der Lieder - LII". – in: 31 poetas 214 poemas: do Rigveda e Safo a Apollinaire, [tradução, notas e comentários Décio Pignatari], 2ª ed., Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2007, p. 223.

§

“Quando eu te desposar...”
Quando eu te desposar, teus dias
Serão dignos de invejas;
Desfrutarás mil alegrias
E ociosidade régia.
Hei de perdoar-te mau humor,
E queixas mas – é claro –
Se não cobrires de louvor
Meu verso, eu me separo.
*
“Und bist du erst mein ehlich Weib…”
Und bist du erst mein ehlich Weib,
Dann bist du zu beneiden,
Dann lebst du in lauter Zeitvertreib,
In lauter Pläsier und Freuden.
Und wenn du schiltst und wenn du tobst,
Ich werd` es geduldig leiden;
Doch wenn du meine Verse nicht lobst,
Laß ich mich von dir scheiden.
Heinrich Heine – in: Poesia Alheia, 124 Poemas traduzidos, [tradução e organização Nelson Ascher]. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1998, p. 274-275.

§

Morfina
É grande a semelhança desses dois
jovens e belos vultos, muito embora
um pareça mais pálido e severo
ou, posso até dizer, bem mais distinto
do que o outro, o que, terno, me abraçava.
Havia em seu sorriso tanto afeto,
carinho e, nos seus olhos,tanta paz!
Ornada de papoulas, sua fronte
tocava a minha, às vezes – e seu raro
odor me dissipava a dor do espírito.
Tal alívio, porém , não dura. Eu só
hei de curar-me inteiramente quando
o irmão severo e pálido abaixar
a sua tocha. – O sono é bom; o sono 
eterno, ainda melhor; mas certamente
o ideal seria nunca ter nascido.
*
Morphine
Groß ist die Ähnlichkeit der beiden schönen
Jünglingsgestalten, ob der eine gleich
Viel blässer als der andre, auch viel strenger,
Fast möcht ich sagen: viel vornehmer aussieht
Als jener andre, welcher mich vertraulich
In seine Arme schloß – Wie lieblich sanft
War dann sein Lächeln und sein Blick wie selig!
Dann mocht es wohl geschehn, daß seines Hauptes
Mohnblumenkranz auch meine Stirn berührte
Und seltsam duftend allen Schmerz verscheuchte
Aus meiner Seel` – Doch solche Linderung,
Sie dauert kurze Zeit; genesen gänzlich
Kann ich nur dann, wenn seine Fackel senkt
Der andre Bruder, der so ernst und bleich. –
Gut ist der Schlaf, der Tod ist besser – freilich
Das beste wäre, nie geboren sein.
Heinrich Heine – in: Poesia Alheia, 124 Poemas traduzidos, [tradução e organização Nelson Ascher]. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1998, p. 276-277.

§

Me passa a máscara: vou desfilar
De plebe; a rica escória do salão,
Em paetês e plumas de pavão,
Não há de me tomar por um de lá!
Maus modos e o baixíssimo calão
Me passa, eu vou vestir-me de gentalha!
Renego cada sílaba que saia
Da boca de um janota de plantão.
Assim, eu vou pulando o carnaval
Em meio a reis, valetes e rainhas,
Cumprimentando apenas o arlequim.
E todos seguem me lascando o pau.
Mas só retiro a máscara do rosto,
Quando acabar a farsa de mau gosto.
*
Gib her die Larv, ich will mich jetzt maskieren
In einen Lumpenkerl, damit Halunken,
Die prächtig in Charaktermasken prunken,
Nicht wähnen, Ich sei einer von den Ihren.
Gib her gemeine Worte und Manieren,
Ich zeige mich in Pöbelart versunken,
Verleugne all die schönen Geistesfunken,
Womit jetzt fade Schlingel kokettieren.
So tanz ich auf dem großen Maskenballe,
Umschwärmt von deutschen Rittern, Mönchen, Köngen,
Von Harlekin gegrüßt, erkannt von wengen.
Mit ihrem Holzschwert prügeln sie mich alle.
Das ist der Spaß. Denn wollt ich mich entmummen,
So müßte all das Galgenpack verstummen.
Heinrich Heine (1821) – in: Heine, hein? – Poeta dos contrários, [introdução e tradução André Vallias]. São Paulo: Editora Perspectiva, 2011, p. 62-63.

§

Esperem só
Só porque arraso quando arrojo
Raios, acham que não sei troar.
Ora, meus senhores, ao contrário:
Na arte do trovão não sou pior!
No devido dia, eu ponho à prova,
Quem duvida agora é só esperar;
O meu peito então vai trovejar,
E trincar os céus, a minha voz!
No fragor daquele furacão,
Os carvalhos secos vão rachar,
Os castelos vão desmoronar,
Velhas catedrais, ruir ao chão!
*
Wartet nur
Weil ich so ganz vorzüglich blitze,
Glaubt ihr, daß ich nicht donnern könnt!
Ihr irrt euch sehr, denn ich besitze
Gleichfalls fürs Donnern ein Talent.
Es wird sich grausenhaft bewähren,
Wenn einst erscheint der rechte Tag;
Dann sollt ihr meine Stimme hören,
Das Donnerwort, den Wetterschlag.
Gar manche Eiche wird zersplittern
An jenem Tag der wilde Sturm,
Gar mancher Palast wird erzittern
Und stürzen mancher Kirchenturm!
Heinrich Heine (1844) – in: Heine, hein? – Poeta dos contrários, [introdução e tradução André Vallias]. São Paulo: Editora Perspectiva, 2011, p. 252-253.

§

Os tecelões da Silésia
Não há lágrimas em seus olhares;
Rangem dentes diante dos teares:
Alemanha, nós tecemos tua mortalha,
E tramamos nossa tripla maldição –
Nós tecemos e tramamos!
Maldição ao Deus a quem oramos,
Quando a fome e o frio nos maltratam;
Suplicamos de joelhos sua graça,
Ele tripudia e ri da nossa cara –
Nós tecemos e tramamos!
Maldição ao Rei, rei dos ricaços,
Da miséria faz tão pouco caso;
Nos roubou até o último centavo
Para nos lançar nos braços do carrasco –
Nós tecemos e tramamos!
Maldição à Pátria desamada,
Onde o escárnio e a humilhação se alastram;
Onde a flor que flore é logo estraçalhada;
Onde a podridão seus vermes amealha –
Nós tecemos e tramamos!
Voa a lançadeira no tear,
Noite e dia, trabalhamos sem parar –
Alemanha, nós tecemos tua mortalha,
E tramamos nossa tripla maldição,
Nós tecemos e tramamos!
*
Die schlesischen Weber
Im düstern Auge keine Träne, 
Sie sitzen am Webstuhl und fletschen die Zähne: 
Altdeutschland, wir weben dein Leichentuch, 
Wir weben hinein den dreifachen Fluch - 
Wir weben, wir weben!
Ein Fluch dem Gotte, zu dem wir gebeten 
In Winterskälte und Hungersnöten; 
Wir haben vergebens gehofft und geharrt - 
Er hat uns geäfft und gefoppt und genarrt - 
Wir weben, wir weben!
Ein Fluch dem König, dem König der Reichen, 
Den unser Elend nicht konnte erweichen, 
Der den letzten Groschen von uns erpreßt 
Und uns wie die Hunde erschießen läßt - 
Wir weben, wir weben!
Ein Fluch dem falschen Vaterlande, 
Wo nun gedeihen Schmach und Schande, 
Wo jede Blume früh geknickt, 
Wo Fäulnis und Moder den Wurm erquickt - 
Wir weben, wir weben!
Das Schiffchen fliegt, der Webstuhl kracht, 
Wir weben emsig Tag und Nacht - 
Altdeutschland, wir weben dein Leichentuch, 
Wir weben hinein den dreifachen Fluch, 
Wir weben, wir weben!
Heinrich Heine (1844–1845), in: Heine, hein? – Poeta dos contrários, [introdução e tradução André Vallias]. São Paulo: Editora Perspectiva, 2011, p. 288-289.

§

Não entro nessa dança, não incenso
Os ídolos de ouro e pés de barro;
Tampouco aperto a mão desse masmarro
Que me difama e distribui dissenso.

Não galanteio a linda rapariga
Que ostenta sem pudor suas vergonhas;
Nem acompanho as multidões medonhas
Que adoram seus heróis de meia-figa.

Eu sei: carvalhos têm que desabar,
Enquanto o junco se abaixando espera
Passar o vento forte da intempérie.

Mas do que pode um junco se orgulhar?
Tirar poeira de capacho ao sol,
Curvar-se para a linha de um anzol.
*
Ich tanz nicht mit, ich räuchre nicht den Klötzen,
Die außen goldig sind, inwendig Sand;
Ich schlag nicht ein, reicht mir ein Bub die Hand,
Der heimlich will den Namen mir zerfetzen.

Ich beug mich nicht vor jenen hübschen Metzen,
Die schamlos prunken mit der eignen Schand;
Ich zieh nicht mit, wenn sich der Pöbel spannt
Vor Siegeswagen seiner eiteln Götzen.

Ich weiß es wohl, die Eiche muß erliegen,
Derweil das Rohr am Bach, durch schwankes Biegen,
In Wind und Wetter stehn bleibt, nach wie vor.

Doch sprich, wie weit bringt’s wohl am End’ solch Rohr?
Welch Glück! als ein Spazierstock dient’s dem Stutzer,
Als Kleiderklopfer dient’s dem Stiefelputzer.
Heinrich Heine, in: Heine, hein? – Poeta dos contrários, [introdução e tradução André Vallias]. São Paulo: Editora Perspectiva, 2011, p. 288-289.

§

Os anjos
Eu, incrédulo Tomé,
Já não creio na doutrina
Que o rabi e o padre ensinam:
Nesse “céu” não levo fé!

Mas nos anjos acredito,
Dou aqui meu testemunho:
Perambulam pelo mundo,
Impolutos e bonitos.

Só refuto essa bobagem
De anjo aparecer de asinha;
Sei de muitos, Senhorinha,
Desprovidos de penagem.

Com carinho e claridade,
De olho atento nos humanos,
Nos protegem, afastando
O infortúnio e a tempestade.

Amizade tão discreta
Reconforta toda gente,
Tanto mais o duplamente
Judiado, que é o poeta.
*
Die engel
Freylich ein ungläub’ger Thomas
Glaub’ ich an den Himmel nicht,
Den die Kirchenlehre Romas
Und Jerusalems verspricht.

Doch die Existenz der Engel,
Die bezweifelte ich nie;
Lichtgeschöpfe sonder Mängel,
Hier auf Erden wandeln sie.

Nur, genäd’ge Frau, die Flügel
Sprech’ ich jenen Wesen ab;
Engel giebt es ohne Flügel,
Wie ich selbst gesehen hab’.

Lieblich mit den weißen Händen,
Lieblich mit dem schönen Blick
Schützen sie den Menschen, wenden
Von ihm ab das Mißgeschick.

Ihre Huld und ihre Gnaden
Trösten jeden, doch zumeist
Ihn, der doppelt qualbeladen,
Ihn, den man den Dichter heißt.
Heinrich Heine – in: Heine, hein? – Poeta dos contrários, [introdução e tradução André Vallias]. São Paulo: Editora Perspectiva, 2011.

§

Larga as parábolas sagradas,
Deixa as hipóteses devotas,
E põe-te em busca das respostas
Para as questões mais complicadas.

Por que se arrasta miserável
O justo carregando a cruz,
Enquanto, impune, em seu cavalo,
Desfila o ímpio de arcabuz?

De quem é a culpa? Jeová
Talvez não seja assim tão forte?
Ou será Ele o responsável
Por todo o nosso azar e sorte?

E perguntamos o porquê,
Até que súbito – afinal –
Nos calam com a pá de cal –
Isto é resposta que se dê?
*
Laß die heil'gen Parabolen,
Laß die frommen Hypothesen -
Suche die verdammten Fragen
Ohne Umschweif uns zu lösen.

Warum schleppt sich blutend, elend,
Unter Kreuzlast der Gerechte,
Während glücklich als ein Sieger
Trabt auf hohem Roß der Schlechte?

Woran liegt die Schuld? Ist etwa
Unser Herr nicht ganz allmächtig?
Oder treibt er selbst den Unfug?
Ach, das wäre niederträchtig.

Also fragen wir beständig,
Bis man uns mit einer Handvoll
Erde endlich stopft die Mäuler -
Aber ist das eine Antwort?
Heinrich Heine – in: Heine, hein? – Poeta dos contrários, [introdução e tradução André Vallias]. São Paulo: Editora Perspectiva, 2011.

§

Esses olhos-primavera,
Me fitando azuis na relva
São amáveis violetas
Que escolhi para um buquê.

Vou colhendo enquanto penso:
O que vem ao pensamento
E no coração me dói,
Cantam alto os rouxinóis.

O que eu penso eles cantam
Estridentes – num instante
Minha sina mais secreta
Espalhou-se na floresta.
*
Die blauen Frühlingsaugen
Schau'n aus dem Gras hervor;
Das sind die lieben Veilchen,
Die ich zum Strauß erkor. 

Ich pflücke sie und denke,
Und die Gedanken all,
Die mir im Herzen seufzen,
Singe laut die Nachtigall.

Ja, was ich denke, singt sie
Lautschmetternd, daß es schallt;
Mein zärtliches Geheimnis
Weiß schon der ganze Wald. 
Heinrich Heine – in: Heine, hein? – Poeta dos contrários, [introdução e tradução André Vallias]. São Paulo: Editora Perspectiva, 2011.

§

Legado
A minha vida chega ao fim,
Escrevo pois meu testamento;
Cristão, eu lego aos inimigos
Dádivas de agradecimento.

Aos meus fiéis opositores
Eu deixo as pragas e doenças,
A minha coleção de dores,
Moléstias e deficiências.

Recebam ainda aquela cólica,
Mordendo feito uma torquês,
Pedras no rim e as hemorroidas,
Que inflamam no final do mês.

As minhas cãimbras e gastrite,
Hérnias de disco e convulsões –
Darei de herança tudo aquilo
Que usufruí em diversões.

Adendo à última vontade:
Que Deus caído em esquecimento
Lembre de vós e vos apague
Toda a memória e sentimento.
*
Vermächtniß
Nun mein Leben geht zu End’,
Mach’ ich auch mein Testament;
Christlich will ich drin bedenken
Meine Feinde mit Geschenken.

Diese würd’gen, tugendfesten
Widersacher sollen erben
All mein Siechthum und Verderben,
Meine sämmtlichen Gebresten.

Ich vermach’ Euch die Coliken,
Die den Bauch wie Zangen zwicken,
Harnbeschwerden, die perfiden
Preußischen Hämorrhoiden.

Meine Krämpfe sollt Ihr haben,
Speichelfluß und Gliederzucken,
Knochendarre in dem Rucken,
Lauter schöne Gottesgaben.

Codizill zu dem Vermächtniß:
In Vergessenheit versenken
Soll der Herr Eu’r Angedenken,
Er vertilge Eu’r Gedächtniß.
Heinrich Heine (1851) – in: Heine, hein? – Poeta dos contrários, [introdução e tradução André Vallias]. São Paulo: Editora Perspectiva, 2011.

§

Acreditava antigamente
Que todo beijo que me tiram,
Ou que recebo de presente,
Fosse por obra do destino.

Deram-me beijos e beijei,
Antes com tanta seriedade,
Como se obedecesse às leis
Que regem a necessidade.

Agora sei como é supérfluo
E não me faço de rogado,
Vou dando beijos em excesso,
Incrédulo e despreocupado.
*
Ehmals glaubt ich, alle Küsse, 
Die ein Weib uns gibt und nimmt,
Seien uns, durch Schicksalsschlüsse,
Schon urzeitlich vorbestimmt.

Küsse nahm ich, und ich küßte
So mit Ernst in jener Zeit,
Als ob ich erfüllen müßte
Thaten der Notwendigkeit.

Jetzo weiß ich, überflüssig,
Wie so manches, ist der Kuß,
Und mit leichtern Sinnen küß ich,
Glaubenlos im Überfluß.
Heinrich Heine: "Uma gaivota. Poemas, 1830-1839". in: Heine, hein? – Poeta dos contrários, [introdução e tradução André Vallias]. São Paulo: Editora Perspectiva, 2011.

§

Como rasteja devagar
O tempo, caracol horrendo!
E eu, sem poder mover os membros,
Não saio mais deste lugar.

Na minha cela sempre escura
Não entra sol nem a esperança;
Daqui, em derradeira instância,
Só me liberta a sepultura.

Quem sabe já virei defunto
E esses semblantes em cortejo,
Que à noite desfilando eu vejo,
Não são visitas do outro mundo.

Fantasmas a vagar sem corpo
Ou deuses do templo pagão,
Que adoram fazer confusão
No crânio de um poeta morto. –

A doce festa dos espíritos,
Orgia saturnal e tétrica,
Busca a mão óssea do poeta
Deitar às vezes por escrito.
*
Wie langsam kriechet sie dahin,
Die Zeit, die schauderhafte Schnecke!
Ich aber, ganz bewegungslos
Blieb ich hier auf demselben Flecke.

In meine dunkle Zelle dringt
Kein Sonnenstral, kein Hoffnungsschimmer;
Ich weiß, nur mit der Kirchhofsgruft
Vertausch ich dies fatale Zimmer.

Vielleicht bin ich gestorben längst;
Es sind vielleicht nur Spukgestalten
Die Phantasieen, die des Nachts
Im Hirn den bunten Umzug halten.

Es mögen wohl Gespenster seyn,
Altheidnisch göttlichen Gelichters;
Sie wählen gern zum Tummelplatz
Den Schädel eines todten Dichters. –

Die schaurig süssen Orgia,
Das nächtlich tolle Geistertreiben,
Sucht des Poeten Leichenhand
Manchmal am Morgen aufzuschreiben.
Heinrich Heine (1853-1854)in: Heine, hein? – Poeta dos contrários, [introdução e tradução André Vallias]. São Paulo: Editora Perspectiva, 2011.

FORTUNA CRÍTICA HEINRICH HEINE
CARPEAUX, Otto Maria (direção). "Heinrich Heine". in: História da Literatura Ocidental. vol. I. Editora Cruzeiro, 1960.

Heinrich Heine























OUTRAS FONTES E REFERÊNCIAS DE PESQUISA
:: Deutsche Welle/DW - Heinrich Heine 
:: Revista Modo de Usar
:: DICK, André. A modernidade corrosiva de Heine. in: Cronópios, 30/5/2011. Disponível no link. (acessado em 9.1.2016).
:: LUGÃO, Juliana. Heine: moderno, flâneur, tropicalista ou antropofágico?. in: Goethe-Institut Brasilien Novembro de 2011. Disponível no link. (acessado em 9.1.2016).

© A obra de Heinrich Heine é de domínio público

© Pesquisa, seleção e organização: Elfi Kürten Fenske em colaboração com José Alexandre da Silva

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http://www.elfikurten.com.br/2016/01/heinrich-heine.html
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19feVER2018
Via JERO:
"Onde queimarem livros, mais tarde ou mais cedo, o homem também acabará destruído". Heinrich Heine (1797-1856), poeta alemão.
Lusa/Fim.
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